Porque precisamos atualizar o tema da Democracia e Ditadura neste momento?

Primeiro que estamos diante de um golpe e nesses momentos este tema aparece mais visível aos olhos das massas. Segundo que, o tema da ditadura, também passa a ser tema destas controvérsias da luta de classes. A metafísica adora separar os temas, isto é, ou é ditadura ou é democracia. Para os Marxistas este tema é bastante claro, ou seja, democracia e ditadura são complementares dentro do Estado, não pode haver um sem o outro. Assim, a maior democracia se relaciona sem problema nenhum com a maior exploração de seres humanos já visto na história. Este é o caso do Imperialismo Ianque. O mais interessante é, que por trás de uma democracia política pode haver uma ditadura econômica violenta, como em Atenas onde a sua democracia permitia que de cada 10 homens adultos nove fossem escravos.

Aqui temos uma diferença que chama atenção entre a política e a economia. Em uma das partes em que as classes em luta se enfrentam “prospera” a democracia, no outro, a mais severa exploração ditatorial. Essa tímida democracia permitida pelo Capital, isto é, reclamar, criticar, espernear, protestar, votar, etc… desde que não se queira ir mais além, pode. Esta válvula de escape, conquistada com muita luta pelos trabalhadores, já é, por muitos considerada, coisa de outro mundo. Nos Estados Unidos dois partidos, apenas, elegem deputados Federais e Senadores. Em sua maioria os eleitos elegem-se gastando fortunas e portanto é impossível neste setores contar com um operário. A tímida democracia política do Capitalismo parasitário é tão influente pelo fato de que, também, parte dos trabalhadores são ludibriados com alguns tostões a mais tornando-se parte da oligarquia operária. Outros pelo massacre ideológico dos intelectuais burgueses de todos os tipos que envenenam as mentes do povo. Além das drogas reais de todos os tipos, inclusive aquelas subjetivas consideradas por Marx, como o ópio do povo. Na batalha ideológica o Capital se permite e exige democraticamente para ele, como uma das necessidades de dominação dos povos, grandes investimentos.

E se isso não bastasse, nessas “democracias” que se sustentam por uma exploração gigantesca em uma ditadura econômica dos monopólios, organizações revolucionárias são perseguidas, aniquiladas; basta ver o que foi relegado ao grupo Panteras Negras nos EUA. E se essas democracias fossem tão sólidas, porque são dependentes de um aparato de inteligência (CIA) e todo o desenvolvimento de armas para proteger a sua classe e conservar a exploração? Por isso, certas economias capitalistas, podem passar 15 a 20 anos em crise não existindo sequer a perspectiva de tomada do poder. Talvez, nem sequer pensado pelo proletariado que acostumou-se apenas a protestar, gritar, espernear, votar, cobrar aumento de salário etc… E como diz Lênin, sem teoria revolucionária nem movimento revolucionário existe. E para que este exista, é preciso existir uma organização revolucionária para este fim. É desta forma, que estas democracia “competem” com aquilo que chamamos de Ditadura do Proletariado.

Dizem que a Ditadura do Proletariado é mil vezes mais democrática que qualquer democracia burguesa. Mesmo entendendo o significado, relacionado a prosperidade dos povos, a inexistência de crises econômicas, fome, miséria, porém, o termo é incorreto. Mas aqui, a defesa é do termo Ditadura do Proletariado, e não da Democracia proletária. Poderíamos muito bem, para agradar alguns embriagados pela democracia como valor Universal, não tocar no termo da Ditadura, pois a mesma causa muita temeridade a quem já se acostumou com os termos burgueses. A defesa da ditadura do proletariado é, antes de mais nada, como o Estado proletário se comportará quando começar a existir. É um estado que nasce após uma revolução, com a mudança do modo de produção capitalista para o Socialista. Os meios de produção nas mãos de uma classe, a burguesa, são tomados pelo Estado em nome do proletariado, isto é, não serão negociados, discutidos, parcelados, implorados, votados ou acordados. Seguidos de inúmeros desafios iniciais no campo econômico e político, com todos os ataques que obviamente a burguesia faz e fará, é preciso uma ação rápida e centralizada. A ditadura do proletariado é a forma concreta e objetiva para manter o poder e dar pleno funcionamento as ações políticas e econômicas. Quem pensa diferente, não só age nas perspectivas burguesas, de não alteração das condições econômicas existentes, e são socialistas de plantão, ou socialistas burgueses.

Á referência a ditadura do proletariado consiste portanto na teoria revolucionária, como expressão real da luta de classes, reage a necessidade de uma organização proletária, disciplinada, consciente de seu papel histórico. Em inúmeras vezes o Marxismo condenou o aventureirismo na política. A ditadura do proletariado é mil vezes mais detestada pelos exploradores, do que fora as outras revoluções na história, onde uma classe de exploradores tomava o estado da outra, exemplo disso, são as revoluções burguesas. O ódio é triplicado, como diz Marx e Engels no desenvolvimento da teoria revolucionária, porque os meios de produção não são tomados em nome de uma outra classe irmã na exploração, mas sim pelo próprio explorado. Vimos esse ódio aqui no Brasil, com o simples fato de ser dado condições mínimas econômicas de subsistência aos pobres, a classe média, sair as ruas e bater panelas contra o povo, multiplicar-se-ão essas ações sob o domínio do proletariado. Ela é uma revolução muito mais profunda, e sua profundidade exige uma força á altura desta ação.

O proletariado só poderá tomar o céu de assalto, deixando claro para os trabalhadores as reais condições de poder, quem são seus inimigos iniciais, como deverá se comportar o Estado no enfrentamento de seus inimigos. As revoluções são os acontecimentos mais democráticos na história, e a revolução Socialista logicamente se inclui nelas, pois é quando duas forças se enfrentam franca e abertamente na luta pelo poder, e quando o resultado pende para A ou B, o comportamento muda imediatamente entre um e outro, passando a operar a ditadura contra os vencidos. Na comuna de Paris, o massacre dos operários em luta, foi o mais terrível de todas as guerras. E o ódio contra Rússia Socialista na Segunda Guerra Mundial, comandado pelo Nazi-Fascismo Alemão e, investido e almejado por todo o Imperialismo, também é uma clara evidência das ameaças constante ao País. Entender que, este Estado existirá por todo uma período histórico de Guerras de classes, é ter a noção exata dessas lutas.

Para finalizar, reencontramos os termos separados no início, isto é, a Política e a economia. Ao juntar os dois termos, e é isso que deve ser feito, pois não existe democracia nem ditadura sem uma clara referência aos dois termos, vemos que pode nos oferecer a burguesia a mais profunda ditadura ao proletariado em prol da democracia burguesa. Porém, como é um sistema que passará a história por ser sujeito a crises econômicas violentas e constantes, e em todas elas reascende o perigo da revolução, e com medo de perder os dedos, é forçada pela luta de classes, a fazer concessões democráticas, isto é, ludibriar seu sucessor, o proletariado assim, como a nobreza fazia concessões à burguesia. O proletariado na condução da revolução e do desenvolvimento do Socialismo não poderá conduzir o Estado para uma democracia, para isso, teria que simplesmente investir no desenvolvimento da classe burguesa em prol do deterioramento do proletariado, e este modo de produção, é o retorno ao capitalismo, pois a democracia só existe com a existência de classes antagônicas. O que o proletariado pode e deve oferecer para a humanidade, é a liberdade, isto é, o fim das classes Sociais e do próprio Estado.

A ditadura do proletariado é a união da economia e a política para o desenvolvimento do povo, algo nunca visto na história da humanidade. A satisfação intelectual (espiritual) e econômica para todos, não é democracia, é o avanço da liberdade e consequentemente da extinção do Estado. Como diz o próprio Lenin, a Revolução Socialista é o último ato do Estado como Estado, pois daí em diante o semi Estado que começa a vigorar, pois a história só reconhece a existência do Estado como uma organização especial para o domínio da minoria sobre a maioria, e não apenas de uma classe sobre a outra. E agora, no Socialismo passa a existir, um Estado onde a maioria domina a minoria, portanto diferencia as bases existentes deste estado. Mas por último ainda vemos a relutância de que o Socialismo não é a ditadura do proletariado, mas sim de um Partido único. Aqui, a teoria revolucionária também não para, e os nossos inimigos, atentos as teorias anti-revolucionária, querem agora separar novamente o conceito de classe de sua vanguarda, tentativa de novamente através da metafísica enganar o povo, caindo novamente para a salvação da democracia, ou no esforço de dar vida a burguesia.

Assim, também é importante resgatar aqui o conceito de Democracia popular, como um momento no capitalismo, em que a burguesia “para não perder os dedos, cede os anéis”. O qual ilude o trabalhador, e seus governantes, que acham que atingiram um estágio de mudanças ininterruptas. Sem mudar o modo de produção as crises do sistema logo aparecem e essa democracia popular ou, se aprofunda ou, em outras palavras, se transforma como diz Engels ou, ainda, a burguesia retoma o comando com todo o seu ímpeto ( como o golpe no Brasil). Essa transformação, que Engels fala, é a ditadura do proletariado, isto é, que a política e a economia não estejam separadas do ponto de vista real e cumpram gradativamente com essa união. Em essência nunca tiveram separadas, o tímido espaço que a burguesia apresenta para a participação popular, como já falamos anteriormente, nada mais é, que a segurança econômica que ela tem neste campo ou, ainda, o medo de perder “os dedos” dos temas relacionados com a economia política. Essa democracia popular tem como correspondente no Socialismo, o Revisionismo, isto é, o início do desenvolvimento da democracia no Socialismo com a retomada dos espaços dado a burguesia, no campo econômico e político, em detrimento da ditadura do proletariado. Lênin já chamava atenção para este fato quando investiu no Capitalismo de Estado, e sua insistência a este fato era para alertar o Partido num possível desvio da ditadura do proletariado.

Se é possível considerar em nosso país, no comando do Governo Federal pelo Partido dos Trabalhadores, o início de uma tímida democracia popular economicista, pois o controle dos mecanismos de informação, segurança, jurídica e política, estavam sob o domínio total da burguesia, não indo além, do que as nossas oligarquias Burguesas permitissem, e que o Imperialismo em crise “engoliu a seco”. E por outro lado, essa democracia popular economicista não avançou mais, pela crença destas e de outras lideranças de esquerda, que o futuro da humanidade é um Socialismo Democrático, e o pior, além deste Socialismo só existir como retrocesso, Revisionismo, ou de extremas dificuldades econômicas (caso do capitalismo de Estado), pensam que o Socialismo poderá existir sem revolução e muito menos sem a Ditadura do Proletariado. Três ilusões de uma só vez, além daquelas que pensam, que o capitalismo bem administrado pode ser viabilizado. Para que os futuros combatentes não se iludam, repetimos sempre o que diz Lênin: Sem Teoria Revolucionária, Não existe movimento revolucionário.

Derrotar o golpe – Fora Temer.

Abaixo o Fascismo.

Viva a Revolução e o Socialismo. João Bourscheid