Guernica 80 anos – Lembrar para não repetir

Há exatos 80 anos, no dia 26 de Abril de 1937, a pequena cidade de Guernica (Gernika, em euskera) capital cultural e histórica do País Basco e até os dias atuais ocupada pela Espanha, era covardemente bombardeada por aviões da Força Aérea alemã, a Luftwaffe. Às 15h30 daquele dia, a calma da cidade foi quebrada pelo som de sirenes e pelos gritos desesperados da população, que buscava refúgio ao saber que se avizinhava um ataque. Desse momento até o início da noite, quatro bombardeios arrasaram a cidade.

Segundo um diário de guerra da época, a fumaça causada pelos ataques era tanta que não se distinguiam os alvos – casas, pontes ou arrabaldes – e os pilotos dos 50 bombardeiros da Legião Condor atiravam sua carga mortal indistintamente. Calcula-se que, ao todo, 22 toneladas de explosivos tenham sido lançadas sobre a cidade, desde pequenas bombas incendiárias a bombas de 250 quilos. Trezentas pessoas morreram imediatamente e milhares ficaram feridas, até porque os aviões deram caça aos fugitivos.

Como resultado das 3 horas de ataque e caçada, 1.645 vidas foram perdidas. Os horrores deste ataque foram contados ao mundo pelo jornalista George Steer, para o The Time de Londres, que visitou a vila pouco após sua destruição, e por Pablo Picasso em seu famoso quadro “Guernica”, no qual coloca em uma tela todo o sofrimento e desespero das vítimas inocentes e os horrores da guerra.

O ataque à Guernica insere-se no contexto da Guerra Civil Espanhola, que serviu de “laboratório” para as forças nazistas e fascistas antes da Segunda Guerra Mundial. O ditador espanhol à época, Francisco Franco, era um dos principais aliados de Mussolini e Hitler. Guernica transformou-se em símbolo. O ataque da Legião Condor foi o primeiro bombardeio aéreo maciço contra a população indefesa de toda uma cidade na história europeia. A partir daí, o terror contra civis tornou-se um princípio, passando a integrar a moderna maquinaria de guerra.

Internamente, na Espanha, após Guernica, o que se seguiu foi genocídio cultural do povo basco sob o regime Franquista. A língua basca foi proibida, seus costumes tornados ilegais, seu modo de vida criminalizado. Até 1976 os bascos foram perseguidos e humilhados – quando não torturados e mortos – mas sempre se recordavam de Guernica e tinham razões para persistir, para um dia poder homenagear, livres, seus mortos e feridos.

Na atualidade, num mundo onde se acentuam as contradições entre as potências imperialistas e o risco de uma nova guerra de grandes proporções é cada vez mais real e, por outro lado, cresce a ideologia de extrema direita e o fascismo, lembrar episódios como o de Guernica é fundamental para reanimarmos nossas forças, resistirmos e avançarmos na construção da paz mundial e do socialismo.

Fascistas, Não passarão!