Os 199 anos de Karl Marx e a atualidade de seu pensamento

Num 5 de Maio como hoje, há 199 anos, a humanidade viu nascer uma das mentes mais brilhantes de todos os tempos, Karl Marx, que dedicou toda a sua vida à causa da emancipação da classe operária, o Proletariado, em todo o mundo. Teórico e Revolucionário prático, Marx foi um profundo estudioso da Filosofia, da História e da Economia Política, desvendando e revelando as engrenagens da dinâmica da evolução da sociedade humana, do capitalismo e de seu sistema de exploração. Foi também um árduo e devotado militante a serviço da causa em que acreditava, buscando organizar, mundialmente, os trabalhadores e as trabalhadoras para a revolução e para a construção do socialismo e do comunismo. Por mais que durante sua vida tenha sofrido as piores perseguições e dificuldades, jamais se curvou diante delas.

Ao longo da história, com o avanço de seu legado, o Materialismo Histórico Dialético o Marxismo os poderosos do mundo tentaram e tentam, a todo custo, impedir que o Proletariado tome conhecimento de tal ciência, difamando-a e deturpando-a, mas, mesmo assim, não puderam e jamais poderão deter o curso da história, que é, inevitavelmente, o socialismo. As vitórias alcançadas pelo proletariado em suas mais diversas formas de luta contra a opressão e a exploração e, principalmente, as experiências dos países que se emanciparam do jugo capitalista, eliminando a exploração do homem pelo homem, são provas irrefutáveis disso; por mais que essa seja uma luta extremamente difícil.

Aos que proclamaram, na última década do século passado, o fim da história, o proletariado mundial respondeu com sua inconformação e rebeldia perante a exploração e a violência impostos pela burguesia. Em todo o mundo, organizaram-se greves, manifestos, levantes e guerrilhas, mostrando que a luta de classes é, definitivamente, o motor da história. Governos progressistas, populares, anti-hegemônicos e de inspiração socialista emergiram em resposta aos ataques do neoliberalismo e do imperialismo, abalando as estruturas do sistema capitalista em crise, mostrando, claramente, que a única saída é a organização e a luta. A essa rebeldia e ousadia, a classe dominante não pode perdoar e assim respondeu, como sempre, com a guerra, com o extermínio do povo, com golpes e perseguições. Em outras palavras, paralelamente ao nosso fortalecimento, cresceram a reação de nossos inimigos de classe e o fascismo.

Toda essa conjuntura vem demonstrar a gritante atualidade do pensamento de Marx, bem como a urgência e a necessidade de apropriarmo-nos de seu legado e do legado de seus principais colaboradores e continuadores, ou seja, apropriarmo-nos do marxismo como teoria e guia prático para nossas vidas e luta.

Em homenagem a seus 199 anos, abaixo, publicamos uma breve biografia de Marx, escrita por Lenin em 1913:

Karl Marx nasceu no dia 5 de maio de 1818 em Tréves (na então Prússia renana, hoje Alemanha). Seu pai, um advogado israelita, se converteu em 1824 ao protestantismo. A família, rica e culta, não era revolucionária. Após terminar o liceu de Tréves (correspondente ao Ensino Médio), Marx entrou para a universidade de Bonn e depois para a de Berlim, onde estudou direito, mas sobretudo história e filosofia. Em 1841, acabava seus estudos, defendendo uma tese de doutoramento sobre a filosofia de Epicuro. Naquela época, suas concepções faziam dele um hegeliano idealista. Em Berlim, fez parte do círculo dos “hegelianos de esquerda” (que compreendia, entre outros, Bruno Bauer), grupo que procurava extrair da filosofia de Hegel conclusões ateias e revolucionárias. Após ter saído da Universidade, Marx fixou-se em Bonn, onde esperava tornar-se professor. No entanto, a política reacionária de um governo que retirara a Ludwig Feuerbach a regência de uma cadeira em 1832; que lhe tinha, de novo, recusado o acesso à universidade em 1836; e que, em 1841, tinha impedido o jovem professor Bruno Bauer de fazer conferências em Bonn, obrigou Marx a renunciar à carreira universitária. Nessa época, o desenvolvimento das ideias do hegelianismo de esquerda progredia rapidamente entre os povos alemãs. Ludwig Feuerbach começa, sobretudo a partir de 1836, a criticar a teologia e a se orientar para o materialismo que, em 1841, o conquista inteiramente (A Essência do Cristianismo). Em 1843, aparecem os seus Princípios da Filosofia do Futuro. “É preciso ter-se experimentado pessoalmente a ação libertadora” destes livros, escrevia mais tarde Engels, a propósito destas obras de Feuerbach: “Nós (quer dizer, os hegelianos de esquerda, incluindo Marx) nos tornamos imediatamente feuerbachianos”. À época, os burgueses radicais da Renânia, que tinham certos pontos de contato com os hegelianos de esquerda, fundaram em Colônia um jornal de oposição, a Gazeta Renana (que apareceu a partir de 1º de janeiro de 1842). Marx e Bruno Bauer empenharam-se nela como principais colaboradores e, em outubro de 1842, Marx tornou-se o redator-chefe. Trocou então, Bonn por Colônia. Sob a direção de Marx, a tendência democrática revolucionária do jornal afirmou-se cada vez mais e o governo depois de ter submetido a publicação a uma dupla e tripla censura decidiu, em seguida, no dia 1º de janeiro de 1843, suspendê-la completamente. Nessa altura, Marx viu-se obrigado a deixar seu posto de redator, porém, sua saída não salvou o jornal, que foi proibido em março de 1843. Entre os artigos mais importantes que Marx publicou na Gazeta Renana, Engels cita um artigo sobre a situação dos produtores de vinho do vale do Moselle. A atividade de jornalista tinha mostrado a Marx que seus conhecimentos em economia política eram insuficientes, por isso, começou a estudar com ardor essa disciplina. Em 1843, em Kreuznach, Marx casou com Jenny von Westphalen, uma amiga de infância, da qual já estava noivo quando estudante. Sua esposa vinha de uma família aristocrática e reacionária da Prússia. No outono de 1843, Marx foi a Paris para editar no estrangeiro uma revista radical com Arnold Ruge. Só apareceu um número dessa revista, intitulado Os Anais Franco-Alemães, porque a publicação foi interrompida devido a dificuldades de divulgação clandestina nos Estados alemãs e por divergências com Ruge. Nos artigos publicados, Marx aparece-nos já como um revolucionário que proclama “a crítica implacável de tudo quanto existe” e, em particular, a “crítica das armas”, apelando para as massas e para o proletariado. Em setembro de 1844, Friedrich Engels vai a Paris por alguns dias e torna-se então o amigo mais íntimo de Marx. Ambos tomaram parte na vida intensa que na época tinham os grupos revolucionários de Paris (era particularmente importante a doutrina de Proudhon, com quem Marx, categoricamente, ajustou contas na Miséria da Filosofia, editada em 1847). Combatendo asperamente as diversas doutrinas do socialismo pequeno-burguês, elaboraram a teoria e a tática do socialismo proletário revolucionário, ou comunismo (marxismo). Em 1845, a pedido do governo prussiano, Marx foi expulso de Paris como perigoso revolucionário, instalando-se, então, em Bruxelas. Na primavera de 1847, ele e Engels, filiaram-se a uma sociedade secreta, a “Liga dos Comunistas”, na qual tiveram um papel de primeiro plano em seu II Congresso (Londres, novembro de 1847). A pedido do Congresso, redigiram o célebre Manifesto do Partido Comunista, publicado em fevereiro de 1848. Essa obra expõe com uma clareza e vigor notáveis a nova concepção de mundo: o materialismo consequente, estendido à vida social; a dialética: a ciência mais vasta e mais profunda da evolução; e a teoria da luta de classes e do papel revolucionário atribuído pela história mundial ao proletariado, criador de uma nova sociedade, a sociedade comunista. Logo que rebentou a revolução de fevereiro de 1848, Marx foi expulso da Bélgica. Primeiramente, volta, então, a Paris que deixa depois da revolução de março regressando à Colônia. Foi lá que apareceu, de 1º de junho de 1848 a 19 de maio de 1849, a Nova Gazeta Renana, da qual Marx foi redator-chefe. A nova teoria se encontra brilhantemente confirmada pelo decorrer dos acontecimentos revolucionários de 1848-1849 e, em seguida, pelos movimentos proletários democráticos ocorridos em todo o mundo. A contra-revolução, vitoriosa, levou Marx a um tribunal que, primeiramente, a 9 de fevereiro de 1849, o absolveu, mas que, depois, a 16 de maio de 1849, expulsou-o da “Alemanha”. Primeiro voltou a Paris, de onde foi igualmente expulso após a manifestação de 13 de junho de 1849, e depois a Londres, onde viveu até o fim dos seus dias. As condições dessa vida de imigrado eram extremamente penosas, como revela a correspondência entre Marx e Engels. Marx e sua família estavam esmagados pela miséria. Sem o apoio financeiro constante e devotado de Engels, Marx não poderia acabar O Capital e teria fatalmente sucumbido às adversidades. Além disso, as doutrinas e as correntes predominantes do socialismo pequeno-burguês do socialismo não-proletário em geral obrigavam Marx a manter uma permanente luta implacável e a aparar, por inúmeras vezes, os furiosos e descabelados ataques pessoais. Mantendo-se à margem dos círculos de imigrados, Marx elaborou uma série de trabalhos históricos e a sua teoria materialista, dedicando-se sobretudo ao estudo da economia política. Revolucionou essa ciência nas suas obras Contribuição para a Crítica da Economia Política (1859) e O Capital (Livro I, 1867). O crescimento dos movimentos democráticos, no fim dos anos 1850 e nos anos 1860, levou Marx a retomar uma atividade prática. Em 1864 (28 de setembro) fundou-se em Londres a célebre I Internacional, a “Associação Internacional dos Trabalhadores”. Marx era a alma dessa associação. É, igualmente, autor da sua primeira “Mensagem” e de um grande número de resoluções, declarações e manifestos. Unindo o movimento operário dos diversos países e procurando orientar para uma via de atividade comum as diferentes formas de socialismo não proletário, pré-marxistas (Mazzini, Proudhon, Bakunin, o trade-unionismo liberal inglês, as oscilações para a direita dos lassallianos na “Alemanha”, etc.). Combatendo as teorias de todas estas seitas e escolas, Marx forjou uma só tática para a luta proletária da classe operária a nível mundial. Depois da queda da Comuna de Paris (1871), sobre a qual ele fez uma apreciação revolucionária tão profunda, tão justa, tão brilhante e tão eficaz (A Guerra Civil na França, 1871), e depois da cisão da Internacional, provocada pelos bakuninistas, foi impossível a esta organização subsistir na Europa. Depois do Congresso de 1872, em Haia, Marx fez aprovar a transferência do Conselho Geral Internacional para Nova Iorque. A I Internacional tinha cumprido a sua missão histórica e cedia lugar a uma época de crescimento infinitamente mais considerável do movimento operário em todos os países, caracterizada pelo seu desenvolvimento em extensão e pela formação de partidos socialistas operários de massa, no quadro dos diversos Estados Nacionais. Sua atividade intensa na Internacional e seus trabalhos teóricos, que exigiam esforços ainda maiores, abalaram definitivamente a saúde de Marx. Continuou a renovar a economia política e a redigir O Capital, reunindo uma quantidade enorme de documentos novos e estudando diversas línguas (o russo, por exemplo). Mas a doença o impediu de terminar O Capital. Sua mulher morreu no dia 2 de dezembro de 1881. A 14 de março de 1883, Marx adormeceu pacificamente na sua poltrona, no seu último sono.