Greves paralisam Guiana Francesa ha mais de uma semana

O Conselho de Ministros da França aborda hoje a situação na Guiana Francesa, departamento francês de ultramar onde aumentam as tensões com a ocupação do Centro Espacial, como parte da greve iniciada há mais de um semana.
Os manifestantes, que prometeram incrementar as demonstrações de força, chegaram ontem à noite à instituição e asseguraram que se manterão ali até quinta-feira, com a finalidade de pressionar e obter resposta depois da reunião de titulares desta quarta-feira.
‘Não nos moveremos daqui, a situação está proposta, a Guayana está bloqueada, vocês estão bloqueados’, afirmou um dos líderes do movimento, Manuel Jean-Baptiste, diante das autoridades do Centro Espacial, base desde a qual decolam os foguetes europeus Ariane.
A ocupação do lugar por parte dos manifestantes tem uma alta significação, pois considera-se-lhe o símbolo da ‘fratura guianesa’: enquanto Paris tem realizado grandes investimentos em na instituição, diminui o dinheiro destinado a infra-estrutura para melhorar a vida da população.
Os grevistas, que antes reclamavam um plano de investimentos de 2,5 bilhões de euros, agora elevaram a cifra para 3,1 bilhões, total muito maior os bilhões prometidos pelo governo francês.
O premiê da França, Bernard Cazeneuve, recusou na segunda-feira a possibilidade de elevar o orçamento destinado às medidas planejadas para melhorar a situação na Guiana Francesa.
Depois de uma reunião dirigida a abordar a crise nesse território localizado na América do Sul, o chefe de Governo qualificou de ‘irrealista’ a cifra de 2,5 mil milhões de euros exigida então pelos manifestantes.
Cazeneuve enfatizou que o Executivo tem previsto implementar um plano de investimentos por um valor superior aos bilhões de euros, destinado a setores como a segurança, a justiça, a agricultura, a energia e ao turismo.

Entenda:

Nos últimos meses, organizações e movimento sociais e indígenas da Guiana Francesa caminharam juntos para deflagrar greve geral no departamento francês. O intuito é reivindicar maior autonomia sobre a gestão em detrimento às ações unilaterais do governo francês. Na pauta de reivindicações, exigem ainda melhorias na condição de vida e, em alguns setores, a independência colonial da França.