Editorial: Povo na rua para derrotar o Golpe

A principal tarefa política da classe trabalhadora, passa a ser a derrota do Golpe em nosso país. Já para os golpistas, as tarefas passam a ser logicamente o contrário disto, isto é, impedir que a nova ordem institucional golpista seja derrotada. Para esta realização, contam com todas as táticas e estratégicas políticas que possam desfrutar, indo desde a preparação do golpe dentro do golpe, ou seja, a retirada do Temer por outro mandatário; eleições para viabilizar eleitoralmente o golpe, sejam elas em 2018 ou unificadas em 2021; aprovar o parlamentarismo como grande “ revolução” política; o uso de forças armadas na contensão das massas; destruição moral e prisões das lideranças populares; inviabilizar a existência de organizações dos trabalhadores, partidos de esquerda etc…, etc… Talvez, as únicas perspectivas descartadas pela direita fascista, é as diretas já e a anulação do impeachment, que se ligariam as palavras de ordem do Fora Temer.

Uma eleição chamada em 2017, constituiria para os golpistas um esforço extra, no sentido de mobilizar esforços internos para unificar candidatos, comprar votos, aparar arestas e ânimos exaltados dentro da esfera burguesa, selar novos acordos, acomodar desafetos, etc. Por isso, essa palavra de ordem diferencia das demais por essas questões e ainda pelo fato de que os golpistas vão levar consigo parte do fardo da atual conjuntura econômica, tanto do governo Federal como dos Estados. Uma eleição nesse quadro, propiciaria talvez, uma discussão ampliada sobre o golpe, ampliando a compreensão popular, quanto a natureza do golpe e a sua extensão na conjuntura da América Latina e ao imperialismo como um todo e principalmente ao Ianque. Além do mais, com essa palavra de ordem, já se iniciaria abertamente um processo eleitoral, seja para já, ou para 2018. Assim, também poderia ter força popular, caso a burguesia golpista, resolvesse adiar para 2021 todas as eleições.

Portanto, é uma palavra de ordem, que pode servir a luta dos trabalhadores. Porém, a mesma além de indicar um caminho prematuro de ação, não pode ir mais que suas pernas permitem, isto é, o regresso na institucionalidade. E que institucionalidade? Além da ordem golpista em vigor, a ordem da crise sistêmica do Capital, a mesma que fez o golpe acontecer e a mesma que fez a presidenta Dilma Russef a tomar medidas impopulares. Essa conjuntura continua a mesma, pior, aprofunda-se a sua degeneração, em estado crescente de Fascismo contra a classe operária e o povo em geral no mundo inteiro. A subestimação das leis da Economia Política capitalista em troca de políticas econômicas salvadoras da Pátria, leva muitas lideranças populares e progressistas a perderem a cabeça literalmente, caso do Kadaffi, presidente da Líbia, morto em praça pública.

Não haverá portanto, pela via institucional, mudanças na condução do básico que o golpe estabelece. A ideia de que a volta, por via eleitoral, conduzirá a um retorno ao que era em anos recentes, é a mais profunda ilusão. Por isso, os Partidos de esquerda, os movimentos populares, Democratas e Progressistas só resistirão ao aprofundamento do Golpe e consequentemente a sua derrocada, com o povo na rua fazendo a resistência. É também dessa luta que se instrumentalizará o povo e as forças avançadas, na condução do novo poder político, consonante com a força política.

Todas as tentativas de não ver a profundidade do Golpe e a par disso a Crise Sistêmica do Capital, conduzem a tentativas simplificadas de saídas imediatas, conciliadoras as vezes ao extremo, que longe de salvar o povo do derramamento de sangue, o conduzem para o matadouro. Por isso insistimos que, nada do que foi será e só o povo na rua unido poderá derrotar o golpe e avançar em uma nova perspectiva de poder político, que não virá obviamente pela via eleitoral.

Novas Forças, Novas Tarefas dizia Lênin. As forças do poder no Brasil mudaram, são golpistas de direita, fascistas, pró imperialistas, anti populares, neoliberais; portanto são novas as tarefas que a classe operária está chamada a atuar. A construção de Frentes antifascistas como a Frente Brasil popular, Povo sem medo e a criação de Comitês contra o Golpe, são as novas tarefas. Assim como a Greve Geral, instrumento poderoso na luta contra os golpistas e de unidade e mobilização popular, além de inúmeras iniciativas de resistências que deverão fazer parte deste novo processo de luta de classes em nosso País. Nossas palavras de ordem são: Unir, resistir e lutar contra o golpe.

Contra o Golpe,

Abaixo o Fascimo

Povo na rua para derrotar o Fascismo e o Golpe.