O que tem em comum o Trump e o Kautsky

Mesmo que separados por quase 100 anos um do outro, esses dois personagem tem algo extremamente em comum, isto é, a compreensão a respeito do Imperialismo. Kautsky, chefe da 2ª internacional Socialista ( Social – Democrata ), se aliando ao oportunismo e abandonando o Marxismo, desenvolvia a tese Revisionista à respeito do Imperialismo, como uma política de Estado. Deste erro, cometia todos os demais, isto é, que iam desde a tese do ultraimperialismo ( extremamente reacionário ) até as defesas mais miseráveis do Chauvinismo. Bom, a história deu seu veredito, demostrando que as teses Leninistas sobre o Imperialismo eram as verdadeiras bases do Marxismo, e o Kautsky, não passou de um renegado.

Agora, mais ou menos 100 anos depois deste embate ( teses lançadas por Lênin foi em 1916 – Imperialismo fase superior do Capitalismo ), aparece um “novo” defensor das ideias de Kautsky. Não é nenhum teórico diga-se bem a verdade, mas alguém que, se acredita realmente em suas ideias, não passa de um perdido em economia política. Sendo eleito presidente dos EUA, o magnata Trump, também parte de suas convicções, que o imperialismo é uma política de Estado, tal como Kautsky defendia. Não vê que, o imperialismo é uma fase do capitalismo e que, portanto, não depende de decisões de governo A, B ou C, de mudar o comportamento do Modo de produção Capitalista ( aliás, os socialistas utópicos antigos e atuais, vivem tentando fazer isso). O imperialismo sorri para Trump, achando uma graça toda a sua motivação e empenho, em tentar colocar em prática algo, sem pé e sem cabeça, literalmente.

Mas o que é engraçado por um lado, é trágico pelo outro. Por que a sentença aqui é outra, isto é, o investimento teórico feito por Trump em um projeto fantástico para a saída da grave crise dos EUA ( para não dizer fanático), tem como objetivo o Chauvinismo, que cai como uma luva no desespero popular e principalmente da classe média, que não vê saídas a curto e médio prazo, do caminho do aprofundamento da fome e miséria. Quando Hitler lançou o teoria do Espaço Vital, fundiu as perspectivas imperialistas de lançar-se a guerra. E a burguesia em crise internacional, viu a inevitabilidade da guerra apresentar-se de forma escancarada para, além da destruição das forças produtivas, a concentração pelo roubo de fontes ainda maiores de riquezas, a intensificação maior da exploração dos mercados e do trabalho, os ganhos com a venda de armas ( mercadoria que adquire grande valor em épocas de guerra ), além de tudo isso, liquidar qualquer projeto emancipacionista da classe trabalhadora. Naquele período, grande parte da máquina mortífera da burguesia Alemã, direcionava-se contra a URSS, que nem se quer estava em guerra com nenhum país, e muito menos em crise econômica.

Porém, Hitler conseguiu unir grande parcelas do povo, num projeto Chauvinista, e depois, racista, Nazista, lançando-se a guerra. A inevitabilidade é a necessidade desenvolvida, encadeada em seus principais elos, a sinfonia quase perfeita. Do maestro aos operadores, isto é, de Hitler aos mega empresários, Latifundiários, banqueiros e expoentes religiosos, todos bem articulados. O fascismo, que é a concepção de direita que, em épocas de crise, utiliza-se de todos os meios para impedir que a história avance, que o novo modo de produção ocupe lugar, rompe as amarras nestes períodos – “ tal qual o ovo da serpente”. O fascismo luta contra tudo que é progressista, e leva essa condição até as últimas consequências. Quando essas ideias fundem-se com o povo, e passam a ser compreendidas como verdadeiras, aí a humanidade pode começar sentir-se realmente aterrorizada.

E nessa época atual, em que o burguesia imperialista está novamente sem muita saída, os projetos Chauvinistas começam a aparecer. Não é só o Trump. Veja os projetos da direita na França, na Inglaterra, na Áustria, na Itália. A direita utiliza-se de projetos em defesa dos princípios “nacionalistas”, no sentido reacionário ou Chauvinista, tentando ganhar o povo, contra as outras nacionalidades, porque os outros são pervertidos, e inclusive é pervertido aqueles de seu país, que apostam em “manter empregos em outros países”, ou “aqueles que enviam capitais a outras nações”, ou “que abram as portas para imigrantes tomarem os empregos dos trabalhadores de seus países”, etc… São coisas simples, que o povo entende rapidamente, pois o mesmo conhece muito pouco das leis da economia política capitalista, e a burguesia se aproveita disso. Mas fica claro evidentemente, que são projetos apenas para dar os primeiros passos na consolidação mais definitiva e sólida, rumo ao fascismo, com a lógica de reforçar ainda mais o caminho imperialista, de domínio do planeta, com uma economia ainda mais centralizada.

O que portanto há de diferente no projeto do Trump e da Hillary, visto que os dois defendem a mesma classe Social, isto é, a burguesia imperialista? Nada. Hillary, com o pretenso jogo democrático, propunha a guerra na Síria, a intervenção na Venezuela, articulou o golpe em nosso País, defende o aprofundamento e o domínio do Capital financeiro, etc… Faz tudo isso defendendo os direitos humanos (diga-se do Capital), defendendo os povos, a democracia, etc. Já a direita Chauvinista não pode fazer isso de forma velada, ela precisa expandir a consciência fascista, reforçando os conceitos de Nação, de raça, de superioridade, de povo, negando obviamente os conceitos de classe. Os elementos da crise econômica convertem-se em ódios mortais, não da unidade do povo para vencer a burguesia, mas na luta de povo contra povo e principalmente a tudo que é progressista.

O velho e o reacionário, passam a ocupar a superfície do sistema e ao alcance de todas as consciências desavisadas. Em essência, é o reflexo de uma crise capitalista que se aprofunda, sem que haja um projeto revolucionário para se contrapor. Essa tendência “superficial”, cada vez mais força políticos a tornar mais aberta essas expressões. E, quando tomam, logo recebem apoio de muitos populares, da classe média, e principalmente dos grupos organizados mais a direita. É o caso do Trump, receber imediatamente o apoio da Ku Klux Klan; e o próprio Bolsonaro no Brasil. Em outras épocas, muitos se sentiriam envergonhados de apoiar tais ideias, agora, ficam engrandecidos. Além disso, reafirmamos o que é mais sugestivo nessas épocas para a burguesia, é a necessidade de um projeto CHAUVINISTA, pois ele é capaz de unir com extrema facilidade os elementos mais reacionários do sistema capitalista e de desviar as massas de um projeto mais popular, democrático e Socialista. Assim também aconteceu na própria ditadura militar em nosso país, que seduzia o povo com as palavras “ame ou deixe-o”; ou ainda em outras épocas, como a campanha “deus, pátria e família”. Ou como agora, “Ordem e Progresso”. É o positivismo filosófico falando alto e de bom tom, contra qualquer ciência Humana e principalmente o Marxismo.

A época do Imperialismo, segundo Lênin, é a também a antessala da Revolução proletária, coisa também jamais mencionadas por Trump e Kautsky. Por isso, os trabalhadores além de se levantar contra projetos Chauvinistas de toda a ordem, lutar contra o Fascismo, contra o golpe em nosso país, pois este é a expressão clara deste reacionarismo, devem estar consciente que é nesses momentos que a violência revolucionária faz-se parteira da história. Derrotar o golpe, defender um novo poder político, um novo programa para o país, faz parte de nossa luta atual. Porém só poderemos cumprir a nossa missão histórica, mantendo o povo unido contra a direita fascista.

Contra o Golpe.

Abaixo o Fascismo.

Fora Temer.