As eleições de 2016 e o avanço da direita golpista

Neste último domingo, dia 02/10/2016 ocorreram no Brasil eleições municipais para prefeitos e vereadores.

O resultado das urnas trouxe a tona com clareza algo que já era perceptível: o avanço de uma direita golpista, que tem como projeto o avanço do neoliberalismo, a ofensiva do ataque aos direitos da classe trabalhadora, o aumento da exploração da mais – valia, enfim, o massacre do povo trabalhador em nome da burguesia monopolista, bem representada pelo capital financeiro internacional imperialista. Mais do que isso, elucida que as massas populares, vítimas de uma mídia golpista, manipuladora, monopolizada, é convencida de fortalecer as fileiras dos inimigos dos trabalhadores, reproduzindo um ódio fascista, semeado pela ideologia dominante, que se representou em votos contra a esquerda institucional, lembrando a situação de ascensão do fascismo e do nazismo na Itália e na Alemanha na década de 1920, do golpe civil – militar de 1964 no Brasil e tantos outros momentos históricos em que os oprimidos foram induzidos a apoiar seus opressores massivamente.

É indispensável que o setor consciente da classe trabalhadora analise de maneira consistente o que representa o resultado das eleições municipais dentro de um todo.

Primeiramente, é indispensável que percebamos que o avanço de um sentimento direitista e fascista no meio do povo é uma realidade que nos remete a um quadro extremamente perigoso, onde a correlação de forças se apresenta extremamente favorável para que setores da burguesia nacional e das oligarquias, com o apoio total e irrestrito do imperialismo, leve o golpe até as últimas consequências, avançando não só no campo econômico, mas também no político, cerceando as liberdades e acirrando a repressão de forma dura contra toda e qualquer resistência que possa se levantar contra o projeto golpista, por menor que seja esta resistência. Hoje no Brasil, a burguesia tem apoio popular e uma estrutura colossal para manter este apoio, através da mentira e manipulação, já comprovadas, e uma conjuntura extremamente favorável para levar a cabo seu projeto político e econômico.

Em segundo lugar, é indispensável que analisemos o papel da esquerda, pensando nos caminhos já traçados e o que ainda temos que traçar na luta contra o golpe, contra a retirada de direitos e contra o capitalismo.

Diante do golpe, um setor da esquerda brasileira, movido pela ira às concessões burguesas e direitistas realizadas pelo governo Dilma, acabou caindo no erro esquerdista de “não ver a floresta, mas apenas a árvore” ao afirmar que os governos do PT e os da direita golpista não tinham diferenças e sendo assim, o que estava ocorrendo no Brasil não era um golpe. Com este discurso raivoso e limitado, por mais que as políticas econômicas implementados durante o governo golpeado desse uma certa imagem de justeza a esses setores da esquerda brasileira, teve como consequência o fortalecimento do movimento golpista, servindo essencialmente ao imperialismo e ao retrocesso da correlação de forças na luta de classes brasileira, desvendando um erro gravíssimo.

Outo setor da esquerda, posicionado contra o golpe, por suas ilusões – e também por uma cultura muito presente na história da luta de classes brasileira – pouco fez no sentido de levar às ruas uma luta popular e combativa que pudesse evoluir para uma forte ofensiva contra o golpe. Alguns representantes deste setor adotaram tal medida por medo de um “banho de sangue”, de “incendiar o Brasil” garantindo assim que o rio de sangue tenha sua nascente nas veias dos operários, dos camponeses, da classe trabalhadora. Outros representantes deste setor apostaram em uma vitória dentro da instituição burguesa, seja garantindo votos no Congresso Nacional, seja garantindo votos nas próximas eleições municipais ou nacionais, ou ainda apostando numa justiça burguesa comprovadamente golpista… Munidos por essas ilusões apostaram e seguem apostando na tática da conciliação de classes para garantir a sobrevivência de seus partidos e seus espaços de discussões, o que demonstra no mínimo uma grande inocência, mas com certeza uma covardia indescritível.
Seria necessário escrevermos não um texto, mas um livro para poder detalhar com precisão os erros da esquerda brasileira diante dos desdobramentos da atual conjuntura, contudo, aqui, este não é nosso objetivo, ainda.

Por fim, é necessário que reflitamos sobre o caminho que os lutadores devem seguir para refutar esta nefasta conjuntura imposta pela burguesia nacional e internacional e garantida pelos erros da esquerda institucional brasileira.

Para isso, é indispensável que percebamos que mesmo diante de pequenas vitórias pontuais nestas eleições, a esquerda como um todo foi massacrada neste último 02 de outubro, sendo toda ela minimizada e fragilizada, mesmo aquela que não se posicionou contra o golpe, parcial ou totalmente, apontando um recuo de força do PSOL, PCdoB e um recuo gigantesco do PT, deixando claro para quem ainda têm dúvidas que o golpe não é contra o PT ou contra presidente Dilma, mas contra as esquerdas, contra os movimentos sociais, contra a luta do povo, contra a classe trabalhadora.

Também é indispensável que atalhemos caminho atentando para mais um erro tático proposto primeiramente pelo PCdoB, aderido por setores do PT e inclusive pela presidente Dilma Roussef, de apostar na luta pela realização das Eleições Gerais ou das Diretas Já. As eleições do dia 02/10 serviram para consolidar o golpe e na atual correlação de forças o mesmo ocorrerá com a realização de eleições gerais ou com a realização das diretas: consolidação e legitimação pelo voto do projeto golpista.

Desta forma, é impossível refutarmos que para enfrentar os ataques do golpe imperialista hoje, precisamos urgentemente construir uma organização realmente revolucionária, que tenha em mente uma luta revolucionária, pelo fim do capitalismo, pela revolução socialista e que vislumbre a sociedade comunista; uma organização que não busque a impossível conciliação de classes, que não seja covarde e aponte para uma combatividade indispensável, tanto do ponto de vista tático (resistir ao golpe e seus ataques) quanto do ponto de vista estratégico (chegar ao socialismo).

Nós do PC temos a clareza que a luta combativa e ousada é uma necessidade diante do quadro que vivemos. Tentar fugir deste combate violento e necessário levará inevitavelmente ao transcurso do rio que estamos vendo hoje: avanço da direita, do fascismo, da pobreza, do massacre a classe trabalhadora, do imperialismo.
Para mudar este quadro adverso precisamos cerrar fileiras na luta contra o golpe, nas ruas. Enquanto nos mantermos na luta pautada pela institucionalidade burguesa, enquanto estivermos retrancados por medo do embate, estaremos fadados ao fracasso.

É hora de construirmos as condições de “incendiarmos o Brasil” para garantir que a classe trabalhadora e seus direitos não sejam “carbonizados”. A conjuntura é clara. Não só a luta combativa, ousada e ofensiva é uma necessidade, com é também impossível fugir dela. Se não a enfrentarmos, seremos varridos da pior maneira possível pelos golpistas. Não existe possibilidade de conforto ou acomodação na atual conjuntura.

Unir, resistir e lutar contra o golpe!!!

Everton Barboza