Eleições Municipais: Palco de luta contra o Golpe

É assim, como uma frente de luta e denúncia contra o golpe, que a esquerda brasileira e os defensores da democracia devem trabalhar nesses minguados trinta dias de campanha eleitoral de Vereadores e Prefeitos de todo o País. A combatividade nas ruas de nossas militâncias e candidaturas, possibilitarão elevar o grau de consciência do proletariado em relação ao golpe, não deixar o campo aberto para os golpistas e unir o povo nessa luta.

Esta é uma batalha eleitoral, cem vezes mais difícil que as anteriores. O tempo é minguado, atendendo a exclusividade do Capital. Os golpistas tendem a se unir de sul a norte deste País, na tentativa de emplacar uma derrota no povo para consolidar o golpe de forma mais intensiva. Com o golpe a corrupção eleitoral será generalizada por parte da direita e, os meios de comunicação continuarão a reforçar todo o empreendimento a favor dos golpistas. Por isso, é uma batalha eleitoral de caráter histórico, onde todo o militante de esquerda tem de empunhar uma bandeira vermelha e ser ele próprio protagonista dessa luta. Liderança que ficar de fora dessa batalha, não cumpre o seu papel na luta de classes. E os candidatos, devem ser todos, antigos e novos, homens e mulheres com uma única tarefa: Denunciar o golpe e os candidatos golpistas e cerrar fileira na eleição de lutadores comprometidos com essa luta.

De nada adianta para os revolucionários e os demais lutadores do povo, restringir-se na apresentação de concepções, de que a eleição não transforma a sociedade, não muda o caráter das relações de produção e que faz parte da institucionalidade burguesa. Por mais verdadeiro que seja essas concepções do ponto de vista teórico, também é verdade que, deixar a burguesia ter ainda maior representação que já tem e, sem lutar, mesmo que neste campo, para que as contradições sejam aprofundadas, fazem parte de uma visão estreita. Além disso, não é possível unir os lutadores fora da luta de classes, e essa está presente em todos os locais.

Outra grande tarefa dos comunistas e progressistas nessas eleições é unir as forças contra o golpe. É preciso que os candidatos do campo popular e da esquerda, tenham em comum que, a conjuntura fascista que ganha terreno na América do Sul ( que é própria da crise imperialista no mundo) e no Brasil, só é possível ser vencida por uma grande frente popular, dirigida pela esquerda. Nós do PC, não temos dúvida que a crise se aprofundará e a burguesia fascista pretende encontrar um terreno sem resistência para continuar perpetuando o seu mando. Mas, esse é justamente o único caminho que não devemos oportunizar a direita. Pois, em inúmeras oportunidades sempre falamos que, a crise é deles, da burguesia, do imperialismo e portanto, o mundo para eles, também é de muitas controvérsias, brigas, desesperos. E como falou Marx no Capital, é nessas horas que a sua unidade é quebrada.

Vamos trabalhar para manter a unidade do povo, pois esse é o maior medo que aflige os fascistas, e para nós é a única saída que temos. E para o povo se unir é preciso que a classe operária não caia no canto da sereia, isto é, que não tem golpe, ou que, foi bom que o golpe ocorreu, pois no aprofundamento da crise é “o deles” que está na reta. As duas compreensões são limitações do próprio entendimento do Golpe, tendo como ponto comum o economicismo. Lenin já denunciava o limite de quem não vê o papel determinante da política na luta de classe. O que está em curso é os ataques aos direitos políticos da classe operária, pois sem levarmos em consideração isso, a luta apenas contra os ataques aos direitos econômicos do trabalhador já em curso, rebaixa a luta de classe no limite do campo burguês, isto é, da venda da força de trabalho por um preço mais “justo”. Não contesta o próprio sistema nem a classe que o comanda, pois trabalha apenas ( e isso fica nítido ) nas perspectivas que este sistema pode engendrar os avanços que o trabalhador busca. Coloca a luta econômica a frente do político. Por isso a nossa batalha tem de ser contra o Golpe. A greve geral tem de ser contra o Golpe. A defesa dos nossos direitos tem de estar vinculados contra o golpe. As eleições Municipais tem de reforçar a luta contra o golpe, e não eleger candidatos golpistas.

– Unidade e luta dos trabalhadores contra o golpe.

– Eleger lutadores comprometidos contra o golpe.

– Greve geral, já.

Por João Bourscheid.