Documentário: “Privatizações: a Distopia do Capital”

O filme indicado da semana vem da conjuntura do golpe em curso no Brasil. Um dos discursos dos golpistas é de privatizar o que resta da maquina publica do estado brasileiro e o que isso influencia na vida do trabalhador?

“Imagine cidadão, que o ar que você respira agora no Raso da Catarina pode estar sendo vendido em Cingapura ou as águas do rio Amazonas, que há milênios correm no mesmo leito, passarão a ser chamadas de blue gold – ouro azul – e passariam à propriedade de meia dúzia de empresas que vão tentar te convencer que a água paga é melhor do que o livre acesso de água para todos”, questiona um dos trechos do filme.

O filme responde a muitas perguntas daqueles que não entendem o que os golpistas querem assaltar o Brasil.

Veja o file:

Privatizações: a Distopia do Capital.

Realização: Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge),

Apoio: CUT

Produtora: Caliban

Direção: Silvio Tendler

O documentário “Privatizações: a Distopia do Capital”, de Silvio Tendler questiona qual é o modelo econômico que o país quer construir para o futuro. O objetivo do cineasta é trazer para o debate público os discursos hegemônicos que permeiam as políticas econômicas, além de traçar um panorama histórico dos processos de privatizações que o país sofreu. Como Tendler observa, seus filmes têm a preocupação de refletir sobre o futuro. Neste caso, a ideia é discutir a possibilidade de reconstrução do Estado brasileiro.

Para isso, o cineasta afirma que o filme foi transmitido em rede nacional e está disponível no Youtube “Ou a gente libera geral para o povo brasileiro assistir, ou a gente só vai dialogar com a elite. Minha ideia é liberar geral”, diz Tendler. Segundo ele, o filme quer provocar a discussão “entre os adeptos do Estado e os adeptos da destruição do Estado”. Em sua opinião, é preciso que esse debate chegue aos mais jovens, que não viveram os processos históricos de privatização no Brasil.

O cineasta argumenta que após a ditadura, os primeiros presidentes eleitos pelo voto direto enfraqueceram o Estado. “Primeiro o Collor, depois o FHC. Venderam a Embratel, a Vale do Rio Doce, foi uma tragédia, perderam a CSN, que foi feita com o esforço do povo brasileiro. O Brasil inteiro teve todo um esforço coletivo para industrializar o país e destruíram tudo, venderam a preço de banana”, critica, vendo influência do projeto neoliberal no enfraquecimento da industrialização brasileira.

“Era um filme que eu estava me devendo”, diz Tendler. A obra do cineasta carioca, de 64 anos, inclui filmes como Os Anos JK (1980), Jango (1984), Milton Santos, Pensador do Brasil (2001), Glauber, o filme – Labirinto do Brasil (2003) e Utopia e Barbárie.

De acordo com Tendler, a perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”.

Fonte: Rede Brasil Atual e Revista Fórum